a usina é um espaço dedicado a profissionais interativos e centraliza tudo que eu, rené de paula jr, produzo sem parar em videos, podcasts, artigos e palestras

Viva a internet sem culpa

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Cabelo espetado? Não… Revolto? Não. Careca? Loiro? Moicano? Não, não, não.

Custou mas acabei encontrando algo parecido com meus cabelos
grisalhos. Pronto: meu avatar (a figurinha que escolhi para me
representar no Messenger) ficou mais fiel a mim mesmo. Meio jovial
demais, mais sorridente ainda do que o rené original mas tudo bem,
melhor que minha foto 3×4 clássica. Ao menos ele pisca 🙂

Com o tempo acostumei com esse eu-cover. Simpático, meu avatar. Mais
um pouco eu passo uma procuração para que ele me represente em tempo
integral. Reuniões chatas? Conference calls? Ir ao banco? Meu avatar
vai, ele tem carta branca.

Avatar não engorda, não acorda atravessado, não envelhece… Bárbaro, isso.

O mais fascinante nessa história toda é que essa mentirinha inocente,
essa fantasia digital pode ser mais autêntica e fiel do que minha foto
no RG. Fotos podem sair esquisitas, verdes, esbugalhadas. Fotos podem
congelar para sempre um dia em que você estava péssimo (meu
passaporte, por exemplo). Fotos podem destacar algo que você odeia:
nariz, pinta, testa…

Avatares mostram o melhor de mim. O que é ruí­do, o que é acidental eu
deixo de lado.

Será pecado isso? Eu acredito piamente que não.

Quando criamos uma experiência online, seja um site ou um produto de
internet, pensamos em uma série de coisas: o que o usuário quer
realizar, o que ele precisa fazer, o que o negócio necessita, qual a
maneira mais eficiente de se atingir um objetivo, e vamos pensando
pensando pensando até doer.

Se pensarmos tudo direitinho, vamos ter um produto funcional, redondo
e… provavelmente sem graça. E a tristeza de algo sem graça é que não
soa um alarme, não dá ERROR 500, não dá “bad, bad server”. Coisa sem
graça simplesmente não decola. E o que é mais enervante: coisas que
têm graça decolam como um foguete mesmo que tecnicamente sejam um
frankenstein.

Essa história de “Graça”, esse atributo intangí­vel e milagroso, sempre
me intrigou. Hoje, olhando para meu próprio avatar sorridente, tive
uma iluminação e quero compartilhá-la com vocês.

Antes de abrir o jogo, permita-me um foreplay rápido. Se você estudou
antropologia na faculdade deve ter ouvido falar em Mircea Eliade. O
cara escreveu livros muito interessantes sobre mitos, e essa história
toda de avatares e Graça me lembraram algo que li dele: muitas
culturas têm mitos de um tempo distante, onde a vida era mágica,
abundante, não havia doenças nem morte, um paraí­so mesmo. Alguma
desgraça acontece e o mundo descamba pra essa versão beta que todos
conhecemos: guerra, dor de dente, gente chata, tela azul, etc.

Pois bem: mesmo na era internética/nanotecnológica/espacial, uma parte
secreta em nós sonha com paraí­sos floridos onde não há regras nem dor,
cheia de alegria sem compromisso e prazeres sem fim (mais ou menos
como um camarote VIP de carnaval).

Eis aí­ o caminho da Graça: abrir as portas para o paraí­so. Como?
Permitir ao usuário momentos de descompromisso, deixá-lo esquecer por
um momento que existe jeitos certos ou errados de se fazer as coisas,
deixá-lo brincar sem consequências.

Os produtos e serviços online mais gostosos são aqueles onde somos
eternamente joviais mesmo que por algum tempo, onde criamos nossas
próprias regras mesmo sem conhecer as regras técnicas.

Instant Messengers permitem isso. Sites de relacionamento proporcionam
isso. Sites como Flickr.com permitem isso. Você cria seu próprio
mundinho e deixa o que é chato de fora.

Ok, eu sei e você sabe que algumas coisas em internet têm que ser
chatas: segurança, privacidade, detalhes técnicos. Têm mesmo?

Outro dia fui colocar usar meu avatar simpático como meu retrato num
site online. ERRO!!! “A imagem deve ter 128×128 pixels”. Têm mesmo?
Por quê? O que custava ter feito um sistema que aceita imagens de
qualquer tamanho e a redimensiona automaticamente? Por que deixar esse
tipo de armadilha no caminho do usuário leigo?

Nós sabemos quais são os pecados na internet, mas o usuário não. Ele
não precisa cair no inferno por ignorância.

Deixe o usuário cair em tentação, e livre-o do mal, amém. E que
milhões o acompanhem.

anotações sobre comunidades online

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Sugeriram-me conduzir um curso sobre comunidades online, e relutei. Aceitei só depois de muita hesitação e incerteza, e enfim compilei alguns princí­pios básicos e me pus a estruturá- los de maneira didática, a preparar exercí­cios, referências…

Nasceu um curso breve, com mais perguntas do que respostas, como um bom curso deve ser.

Chegar a alguma conclusão sobre como gerenciar algo tão vivo e intenso quanto uma comunidade online pareceu-me sempre uma quimera.
Jamais tentei sistematizar ou registrar ou compartilhar o que descobri nesses anos todos. Mas acho que agora sim tenho algo “compartilhável”.

Limitar esse material a apresentações… presenciais não seria de meu feitio. Para que esse pouco que acumulei pudesse ser compartilhado por muitos e semeasse algumas boas dúvidas além do alcance da minha voz e mãos, preparei esse condensado preliminar e o publiquei aqui na usina.

para facilitar a consulta e uso, fiz uma versão em PDF do material. espero que te seja útil.

Com o tempo pretendo refiná-lo, enriquecê-lo com contribuições alheias, incorporar dicas e crí­ticas.

adendo:
fui conferir meu horóscopo (sim sim, eu leio horóscopo…) e dei com essa pérola no Astrology.com:

Daily Extended
February 25, 2004

Cooperation is more than just a good idea. It’s the only way to keep things running. Critical people should keep their comments to themselves instead of trying to resolve all the issues up front. There’s no time for digression. The stars give you the demanding job of reining in the prima donnas and talking them down from their high horses. Beware of becoming self-righteous. Avoid the temptation to use the common good as your personal weapon. Try not to take cheap shots, even if your target really deserves a hit below the belt. You have to be fair.

adorei :^)