a usina é um espaço dedicado a profissionais interativos e centraliza tudo que eu, rené de paula jr, produzo sem parar em videos, podcasts, artigos e palestras

Dicas para utilizar o método GTD

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O “Getting Things Done” ou GTD é um sistema de produtividade pessoal criado por David Allen cujo objetivo é tirar da mente (ou memória RAM mental) de quem o usa as lembranças constantes de tarefas para poder tomar decisões de alto ní­vel criativo sobre elas, com o mí­nimo de stress. Este sistema está descrito em seu livro A arte de fazer acontecer, Editora Campus.

Esse sistema permite que até mesmo o mais desorganizado dos seres (eu por exemplo) sinta maior poder sobre as coisas que deve realizar, mesmo que não implante o sistema completamente (o que não é recomendado pelo autor). Consiste basicamente em colocar toda a tralha da sua vida em sua caixa de entrada e decidir qual será a próxima ação a ser tomada em relação a ela. (veja os princí­pios no Blog do René no Yahoo!)

Se você se interessou por esse método ou até mesmo já leu o livro de Allen, seguem abaixo dicas de sites e blogs sobre o GTD.

Blogs:
Brasileiros:

Efetividade.net
Além das curvas

Em inglês:
43 Folders
Lifehack.org
Lifehacker

Grupo de discussão Brasileiro:
GTDbr – Esse grupo é muito bom para quem está começando, o pessoal está sempre pronto para tirar dúvidas.

Site do David Allen
www.davidco.com

Minhas experiências com a implementação:

No iní­cio, utilizei várias ferramentas digitais e analógicas. Consegui reduzir bastante meu stress em relação a algumas coisas (comecei a refletir melhor sobre elas), continuei perdida em outras (que não soube como processar). Mas consegui triar as ferramentas que funcionaram para mim.

Digital (hi-tech)

Uma das ferramentas digitais que desejo manter para o GTD é o Remember the Milk. Ele serve como organizador de listas e calendário. Envia lembretes na freqí¼ência que você desejar, para que você não perca nenhuma data. Sincroniza com o Google Calendar e está em português.

Mas cuidado com datas-limite nos itens. Eu colocava datas nas tarefas e muitas vezes não cumpri, pois apareceram outras tarefas a fazer, o que gerou uma imensa frustração. 🙁
Deixe as datas para itens que necessitam obrigatoriamente de datas (vencimento de pagamento, ou consulta médica, por exemplo).

Papel (low-tech)

Quando comecei a seguir o processo, percebi que (por enquanto) funciono melhor com papel; como me sinto culpada gastando papel e tinta, e papel solto é muito fácil de perder (no meu caso), adotei mais uma dica de blog, o GTD Moleskine hack do hyalineskies.com. Não estou usando Moleskine, estou usando uma caderneta bonita, mas comum, pautada e com o mesmo número de folhas do Moleskine (ou seja, não deixe de experimentar a possibilidade na falta de um).

Antes de encontrar o GTD Moleskine, uma ferramenta que me ajudou muito foi “Next Action Cards”. É um template de uma ficha que você preenche com a “tralha” e, assinalando os campos, vc contextualiza e transforma essa tralha em próxima ação. Muito prático. O problema é que eu perco vários cartões. 🙂

Quem sabe mesclar o GTD Moleskine e o Next action cards seja uma boa, é o que estou tentando fazer.

Outras ferramentas low-tech muito interessantes:
DIY Planner (um ótimo blog também), templates para que você mesmo imprima e monte seu planejador; e
O Pocketmod, uma folha de papel impressa, dobrada de forma a conter suas listas num conveniente formato pequeno. Vale conferir.

Espero que tenham gostado e que comentem suas próprias experiências com o GTD.

Até mais!
Juliana

Manifesto anti-banquinhos

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(Esse banquinho aí­ do teu lado… não, não, aquele ali. Me empresta? Coisa rápida, é só para fazer um manifesto.)

Carí­ssimos, do alto desse banquinho quarenta anos vos contemplam, e é alçado a esta altura imerecida que proclamo: abaixo os banquinhos.

(Pronto, aqui está teu banquinho. Não pretendo usá-lo de novo, obrigado)

Vocês me conhecem, eu não sou de botar a boca no trombone à toa, no máximo um manifesto aqui e uns podcasts ali, mas chega uma hora que temos que tomar posição. E é imbuí­do do senso de dever que digo: arredemos pé das nossas posições. Estamos entrincheirados demais.

Estou falando sério. Outro dia acompanhei de perto um site novo ser metralhado por todos os lados: desenvolvedores fuzilando a compatibilidade com browsers, designers estapeando a usabilidade, criativos bombardeando o coitado do logotipo. O episódio só não foi trágico porque o dono do site tinha um bom-humor e à prova de balas.

Nem adianta pensar em desarmamento. Cada lado ali (engenheiros, designers, marketeiros, etc..) demorou anos pra conseguir seu arsenal: estudaram, praticaram, se aprimoraram, se organizaram… e se engessaram.

Se ao menos o confronto fosse bonito, algo como uma bela roda de capoeira… mas nunca é: cada um fica na sua trincheira jogando farpas e insultos de lá pra cá. Enquanto isso, felizes da vida, passam ao largo os verdadeiros inovadores, os visionários, aqueles que ao invés de defender territórios desbravam novos mundos.

OK, basta de alegorias e metáforas. Já deve ter dado para entender. Eu estou cutucando os donos-da-verdade de plantão, aqueles profissionais que sobem no banquinho para… (que outra palavra eu uso? Ai ai ai…) ditar (ufa!) regras a torto e a direito.

Abaixo os banquinhos. Abaixo quem se julga acima. Abaixo as opiniões incontestáveis. Abaixo o absolutismo.

Absolutismo nunca fez sentido, e na internet faz menos ainda.

Suponhamos que você faça um site para a sua agência. A agência quer se posicionar junto ao mercado como criativa e antenada com o state-of-the-art em novas mí­dias, e para isso faz um site multimí­dia, inovador e irreverente. Pronto, o site está no ar.

Começa o tiroteio: xiitas vao chiar (xiitas chiam by default) que o site não é tableless, não é W3C-compliant e que não roda no Opera pra Linux. Alguns puristas vão achar que o site é banda-intensiva e exclui propositalmente quem tem banda estreita e máquinas antigas. Outra ala vai apontar seus canhões contra o fato de que a mudança do logo foi meramente cosmética, enquanto chovem flechas de quem diz que aquela é uma sub-utilização dos recursos novos do flash XYZ.

Nessa hora eu bato o pé duas vezes: em primeiro lugar, desçamos do banquinho. Se a agência escolheu uma linha X de comunicação com seu target e esse target por acaso não te inclui, ela deve saber o que faz. Se a agência quer ser vista dessa maneira e não de outra, idem. Não há uma solução de comunicação que seja universal, há sempre escolhas a se fazer. Se ela errou o tiro, que aprenda com as consequências.

Em segundo lugar: se a agência foi capaz de produzir aquela comunicação e não outra, isso diz muito dela, sobretudo sobre seus méritos e… limitações.

Para exemplificar melhor suponhamos outro cenário: uma agência mediana encomenda seu site a um terceiro e o resultado é algo absolutamente arrasador e genial, muito acima da cultura digital da própria agência, um site impecável, revolucionário, trendsetter. Isso não seria propaganda enganosa, mostrar uma fachada que não corresponde ao que ela é capaz de pensar e realizar?

Ou alguma ética estranha diz que um site impecável mas irreal é preferí­vel a um site “pecador” mas verossí­mil?

Pecado por pecado, meus blogs pessoais são forrados de pecadilhos técnicos. Nem poderia ser diferente, porque não sou técnico.
Meu podcast vai ao ar do jeito que eu gravo, sem edição ou cortes. Nem poderia ser diferente, porque não sou locutor nem apresentador.
Os milhares de fotos que eu publico não tem retoques além de Levels e Crop.

Eu não quero criar uma ficção de mim mesmo, e não tenho o menor pudor quanto a imperfeições.

Nossas deficiências são tão nossas quanto as nossas qualidades, e mesmo que eu tenha minhas certezas, elas são inseparáveis da minha história, da minha perspectiva, do lugar onde estou sentado. Minha opinião é absolutamente parcial. Toda opinião é.

Quer pensar outside the box e inovar? Saia da trincheira. E não é nenhum banquinho que vai te tirar do buraco 🙂

Os intocáveis

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Eu estava prestes a começar este artigo dizendo “você que gosta de idiomas…”, mas me toquei a tempo que pouca gente tem apreço por lí­nguas. Deletei tudo, e recomecei com “você que lida muito com estrangeiros…”. Deleta deleta deleta. De volta ao cursor piscando no iní­cio de uma página branca.

É raro eu travar. Normalmente eu saio escrevendo/palestrando/gravando sem o menor embaraço, e as idéias vão se concatenando naturalmente, haja vista/ouvido o improviso do podcast Roda e Avisa (https://www.usina.com/rodaeavisa ) .

Um tema, porém, quebra essa regra. Se eu não esvaziasse a lixeirinha do meu desktop ela pareceria hoje um cesto de papéis de escritor empacado, coberta por folhas amassadas atiradas com fúria.

Que tema é esse? Simples: o que não se diz. Ponto. Complicadí­ssimo, o tema.

Falemos de fotografia, então, pra facilitar. Todo mundo tem câmera, e todo mundo gosta de uma boa foto, não? Pois bem, comecemos por aí­.

Câmeras retratam a realidade, certo? Câmeras não mentem.

Olhemos então aquele teu álbum de viagem. Monumentos, belas paisagens, momentos dignos de uma foto, pessoas posando. ílbum é sempre assim. Agora reveja as fotos e me diga: o que não aparece?

Enquanto você digere a pergunta, eu dou uma pista: câmeras têm lentes, e com lentes você enquadra. Quando você enquadra algo, seleciona o que vai aparecer… e o que não vai aparecer. A menos que você ande fazendo fotos em 360 pelo mundo… o que aparece é uma fração bem pequenina comparado com o mundão que não aparece.

Você fotografou o mendigo? O prédio feio? As pessoas infelizes? O céu chuvoso? A sua mala bagunçada? Provavelmente não. Isso não é coisa que se mostra normalmente, e a gente nem registra na memória.

(Paulistanos como eu são PHD nisso: conseguem não-ver o caos e enxergar só o que é bacana na cidade, vide http://www.flickr.com/photos/renedepaula)

Deve fazer parte da nossa natureza “maquiar” a realidade e deixar de lado coisas que “não ornam”. Isso é sinal de urbanidade e educação, inclusive, e cada cultura ou lí­ngua (lá venho eu com idiomas e gringos de novo) lidam de maneiras diferentes com isso. Em alguns paí­ses é inadmissí­vel se falar da vida í­ntima, em outros ninguém tem pudor em dizer que teu cabelo está horrí­vel.

Varia muito, mas uma coisa é certa: algumas coisas nunca são ditas. Outra coisa é certa: isso tem um preço, um preço que pagamos a prazo porque não enfrentamos as coisas à vista.

Nosso ofí­cio interativo não escapa dessa sina, e a prova é: estamos sempre tropeçando da mesma maneira, vamos sempre ter os mesmos problemas. E, se tudo no mundo tem uma causa, problemas repetidos só podem ser… efeito de causas crônicas.

E como algo que causa problemas pode ser crônico? Simples: porque não se fala dela. Não pega bem. Não é “legal”. Nesse assunto ninguém toca.

Tem gente que (sobre)vive disso: você já deve ter visto um “intocável”, uma daquelas figuras que orbitam em torno desse área fortificada. Sempre tem: por vezes os criativos são intocáveis, por vezes os engenheiros, por vezes os “chegados” do chefe.

Nem tudo que é intocável, porém, tem que ser eterno. Muitas vezes os nossos monstros sagrados são tigres de papel, basta um assoprão e eles somem da nossa vida. E é pensando nisso, nesse exorcismo dos nossos fantasmas crônicos é que eu sugiro um remédio importado: o post-mortem.

Post-mortem é um apelido dado a uma avaliação do que foi bom ou ruim durante um projeto. Acabou o projeto? Post-mortem nele.

Quer tentar fazer? Acabo de fazer um bem simples: cada um dos envolvidos listou ao menos três coisas que foram ótimas, três que foram boas e três que foram ruins. Um coordenador vai juntar tudo isso, consolidar e compartilhar com todos. De um post-mortem simples assim pode nascer um plano para que os erros não mais se repitam e também para que inovações positivas sejam incorporadas ao processo.

Simples. Transparente. Mas levemente arriscado, também: um brasileiro pode se magoar porque o estrangeiro não teve papas na lí­ngua, ou um outro latino pode ter sido mais passional do que devia, ou… Ok, lá venho eu de novo com lí­nguas e culturas 🙂 Que mania.

Aponte minhas manias por favor, não tem problema. Aponte-as ou… vou repetir a dose nas próximas edições 🙂

razão da sensibilidade

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Sim, você fala grego.

Duvida? Faça um teste agora mesmo: ligue para a sua mãe e diga que teu CSS, embora pareça seguir o estipulado pelo W3C, não degradadecentemente em versões antigas dos browsers baseados em Mozilla.

Tua mãe vai confirmar: você está falando grego. Só não espere que ela vá correndo se gabar disso para as amigas, porém. Ela deve se lembrar muito bem daquela vez em que te perguntou inocentemente se CD não tinha lado B e você, rindo, respondeu em grego. Ela se sentiu uma tonta.

Não, não estou dizendo que a tecnologia te tornou insensí­vel (ou, parodiando um grande amigo e frasista, que você tenha virado um engenheiro frio e calculista). Apenas estou sugerindo que talvez valha a pena aprender mais duas palavrinhas em grego: hybris e sophrosyne.

Hybris serve, basicamente, para as coisas que lhe sobem a cabeça e te embriagam: arroubos, paixão, vaidade, arrogância, poder. Tudo isso pode lhe turvar a razão e fazer de você uma criatura descontrolada e desumana.

Razão pode subir à cabeca. Sim, razão, sobretudo a racionalidade
técnica. Basta ler um livrinho ou dois daquelas coisas que arrepiam os leigos (C++, termodinâmica, legislação tributária, o que for) para que o resto da humanidade pareça quilômetros abaixo da sua altitude rarefeita.

E bota rarefeita nisso: se você se embriagou com algum conhecimento que engoliu sem mastigar, é sinal de que teu cerébro já está running in UNsafe mode. Pior: é sinal de que teu bom-senso tem uma severafalha de segurança.

Muitos filosófos gregos viam na embriaguez da hybris a raiz de um monte de males, e o remédio para isso seria algo realmente com nome de remédio: sophrosyne.

Sophrosyne se traduz por temperança, por parcimônia, se traduz por manter a cabeça no lugar sem se deixar levar por excessos. Remédio de uso diário, sem contra-indicação e que custa muito mais barato do que aquilo que “dá barato”.

Eu não sou imune a hybris. Ninguém é. Nosso OS é assim, versão beta, cheio de melhorias pendentes, mas eu, como se diz nos AA, agradeço por cada dia em que não me embriago.

Eu me embriaguei outro dia diante de umas 600 pessoas. Eu jamais
falaria grego diante de uma platéia notoriamente não-técnica, mas me deixei empolgar e pronto, lá estava eu a um passo de falar da importância da folksnomia para a construção de eixos de afinidade que sirvam como fatores aglutinadores em ambientes sociais abertos.

Quaaaaaase falei, quase, mas fui salvo por uma esplêndida cara de paisagem na platéia, a infalivel reação salutar e involuntária de quem contempla um pobre-diabo perdendo o pé (e a cabeça e o fio da meada e tudo).

Aquele olhar perdido foi o balde de água fria de que eu precisava. Recompus-me, voltei como pude ao que queria dizer e, sobretudo, recuperei a noção do meu verdadeiro tamanho: o fato de que estar no palco não era um direito divino. Eu estava ali porque aquelas pessoas abriram um espaço na vida delas para ouvir o que eu tinha a dizer. Se é que eu tinha algo a dizer.

Elas podiam nem ter vindo, podiam muito bem seguir vivendo sem meus 20 minutos de blablablá. Elas eram especialistas em algo em que eu era leigo. Elas eram responsáveis pela condução de negócios gigantes, com milhares de empregados dependendo das suas decisões diárias.

Se algo deveria me subir à cabeça era a gratidão e o senso da
responsabilidade do meu papel naquele exato momento. A todos os que me ouviram e ouvem cada palestra ou podcast, meu muití­ssimo obrigado. Retroativo, inclusive 🙂

Há duas outras coisas pela qual sou muito grato ao destino: ter
convivido e trabalhado com grandes expoentes da comunicação brasileira e mundial e ter aprendido com eles que nada, nada justifica arrogância. Nada.

E te juro: manter o estilo é muito, muito mais difí­cil que aprender CSS. E funciona em todas as plataformas.