a usina é um espaço dedicado a profissionais interativos e centraliza tudo que eu, rené de paula jr, produzo sem parar em videos, podcasts, artigos e palestras

Lembre-se do leite

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Eu esqueço. Esqueço mesmo. Assumo que esqueço.

Esqueço o dia de pagar contas, esqueço que tenho que mandar meu artigo aqui pra revista, esqueço de comprar o que a faxineira pede… Minha semana é um festival de esquecimentos.

É por isso que nunca me dei bem com agendinhas: ou eu me esqueço de anotar, ou me esqueço de conferir todo dia. Agenda boa, pra mim, tinha que ser uma que me cutucasse e dissesse: René, hoje é o dia do cartão. Ou então apitar na hora H. É por isso que ando com um PDA pra cima e pra baixo quase o tempo todo: ele apita.

O meu PDA, porém, está perdendo ibope pro meu celular novo. Não que meu celular seja um smartphone caríssimo, um iPhone ou seja o que for. É um celular singelo, despretensioso, mas… que navega na internet. Instalei o Opera Mini no bichinho e pronto, o telefone ganhou super-poderes. E eu também.

O primeiro super-poder que eu ganhei foi… andar. Andar, zanzar, dirigir, passear… qualquer coisa que tire meu traseiro da cadeira. Se eu quiser acompanhar meus emails não preciso mais ficar sentado o dia todo: webmails como Yahoo! e Google têm versões mobile bem bacanas.

Outro super-poder sensacional é o sentido aranha: eu recebo agora notícias e alertas e alarmes e compromissos direto por SMS. Se você adotar os calendários do Yahoo! ou do Google eles te avisam por SMS também.

Minha última descoberta (ok, bem tardia, admito) foi o Remember The Milk (www.rememberthemilk.com), que serve para uma coisa só: tarefas. Pronto, agora é que não esqueço mais nada 🙂

Entrem lá no Remember the Milk, cadastrem-se e explorem um pouco. Adicionar tarefas e gerenciar to-do’s é uma delícia. E o mais legal é que ele se integra ao calendário do Google (que, por sua vez, pode ser integrado ao Outlook). E, maravilha das maravilhas, você consegue receber alertas por SMS.

Por que estou contando essa história toda? Qual a graça de saber como eu me organizo?

A primeira graça é: é de graça (ou quase). A segunda graça é que, mesmo com um telefone prosaico, você consegue armar um esquema bacaninha baseado em web e SMS. A terceira graça é: eu posso me desgrudar do PC, da cadeira, das quatro paredes e viver a minha First Life feliz e contente.

Digam o que quiserem da Second Life e ambientes imersivos e experiências 3-D, mas eu ando muito mais fascinado por tudo o que me dá liberdade… real.

Eu não quero ser um avatar lindo nem experimentar fantasias virtuais: eu quero meu corpo e alma e coração e sentidos felizes, não apenas meu cérebro. Um bom café na Livraria Cultura nova aqui em São Paulo (vocês foram? imperdível) é um prazer muito mais memorável, muito mais fecundo, muito mais humano do que… navegar por lojas online, por melhores e mais convenientes que sejam. E, com o celular à mão, posso contar pra todo mundo como estou feliz e contente usando Twitter (twitter.com), que me permite blogar e avisar amigos usando… SMS.

(Um detalhe: uma boa loja online como a www.livrariacultura.com.br me reconhece até mesmo quando estou na loja física. Meu histórico de compra, meus descontos, meu cadastro… tudo é integrado. Não importa onde, eu sou eu, não?)

Tem outra graça nessa história toda: ela me faz enxergar que design mesmo não é desenhar páginas nem animações nem aparelhos, é desenhar experiências humanas. Gente não é aquela coisa que mexe o mouse, gente tem pernas, braços, olhos, boca e uma fome danada, fome de respeito, fome de alegria, fome de experiências ricas e fome de liberdade.

Comece agora mesmo a pesquiser sobre user experience. Lembre-se sempre de pensar em como tornar as pessoas mais autônomas e mais plenas. Lembre-se: gente é “mobile”, a vida é opensource, felicidade é freeware.

E lembre-se do leite, claro.

faça você mesmo… a sua tag cloud

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aqui vai uma novidade interessante: uma tag cloud baseada nos teus feeds RSS:

anotações sobre comunidades online

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Sugeriram-me conduzir um curso sobre comunidades online, e relutei. Aceitei só depois de muita hesitação e incerteza, e enfim compilei alguns princí­pios básicos e me pus a estruturá- los de maneira didática, a preparar exercí­cios, referências…

Nasceu um curso breve, com mais perguntas do que respostas, como um bom curso deve ser.

Chegar a alguma conclusão sobre como gerenciar algo tão vivo e intenso quanto uma comunidade online pareceu-me sempre uma quimera.
Jamais tentei sistematizar ou registrar ou compartilhar o que descobri nesses anos todos. Mas acho que agora sim tenho algo “compartilhável”.

Limitar esse material a apresentações… presenciais não seria de meu feitio. Para que esse pouco que acumulei pudesse ser compartilhado por muitos e semeasse algumas boas dúvidas além do alcance da minha voz e mãos, preparei esse condensado preliminar e o publiquei aqui na usina.

para facilitar a consulta e uso, fiz uma versão em PDF do material. espero que te seja útil.

Com o tempo pretendo refiná-lo, enriquecê-lo com contribuições alheias, incorporar dicas e crí­ticas.

adendo:
fui conferir meu horóscopo (sim sim, eu leio horóscopo…) e dei com essa pérola no Astrology.com:

Daily Extended
February 25, 2004

Cooperation is more than just a good idea. It’s the only way to keep things running. Critical people should keep their comments to themselves instead of trying to resolve all the issues up front. There’s no time for digression. The stars give you the demanding job of reining in the prima donnas and talking them down from their high horses. Beware of becoming self-righteous. Avoid the temptation to use the common good as your personal weapon. Try not to take cheap shots, even if your target really deserves a hit below the belt. You have to be fair.

adorei :^)

Lenda viva, muito viva

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artigo para revista webdesign

A lenda é mais ou menos assim: na legendária aula inicial, o grande mestre distribui a seus discí­pulos (todos novatos) folhas de papel e diz Construam. E sai.

O desafio era heróico. A escola era, afinal, lendária, seus professores idem, e muitos do que saiu dali (homens e idéias) mudariam o mundo.

Quando o mestre volta há uma torre Eiffel de papel, uma catedral gótica de papel e… algo inusitado: um grupo dobrou uma folha em V, inverteu-a e a apoiou na mesa, como uma tenda. Comparado aos outros projetos, é quase uma afronta.

O mestre disse:

– Catedrais góticas são o apogeu da pedra. É a construção mais luminosa, mais vertiginosa que jamais se fez em pedra. A torre Eiffel, por outro lado, é o triunfo do ferro: só quando dominamos os segredos do ferro pudemos fazer uma estrutura assim. Já essa tenda de papel, tão singela, explora aquilo de que só o papel é capaz: ser dobrado com as mãos e sustentar sua forma com leveza e graça.

Os outros dois grupos tentaram usar o papel para imitar outros materias. Já esse grupo entendeu a natureza do papel e a expressou com perfeição.

Não sei se você já pensou nisso, mas quando se começa a trabalhar com internet o que te jogam na mão é mais delicado que papel: um material tênue, flexí­vel, quase transparente. E aí­, o que dá para fazer com isso?

Assim como com o papel da lenda, dá para se fazer muita coisa, sobretudo besteiras. Nos primórdios, quando conexão de 28k era um luxo, já se faziam shockwaves elaborados, streaming video, audio, games em java… Imagine, então, quando tivermos banda larga, pensava-se.

Em pouco tempo construir passou a ser… usar flash. Que maravilha! Originalidade, impacto, complexidade, tudo isso sem pesar as toneladas de antes. Agora sim estávamos fazendo coisas interativas sem ter que esperar pela terra prometida… da banda larga.

Assim como o guru da lenda, eu já fazia meus apartes: coisas pesadonas assim, imersivas, multimí­dia, são usos pobres dessa novidade. Isso CD-ROM já fazia, TV já fazia, rádio já fazia… e melhor. Usar internet pra isso é fazer catedrais de papier-maché, é usar internet como cano estreito para despejar conteúdo. E sonhar com banda lardar era ficar fascinado com o dedo que aponta a lua, e não ver a lua.

Um dia os Google’s, Yahoo’s, Radio Userland e Orkut’s da vida nos deram um tapa na cara dizendo acordem, manés. Diante de nossos olhos estavam enfim usos inteligentes, bem-bolados, elegantes de tudo aquilo que esse nosso papel hiper-dobrável era capaz de fazer.

Mas afinal… do que esse nosso papel é capaz?

Ele é capaz, sobretudo, de criar pontes. No nosso ofí­cio, só cria ilhas quem quer ou está mal-informado. E, claro, só está mal informado quem quer.

Aprender a lição desses mestres não é fácil não.

Por exemplo: RSS. Eu demorei um bom tempo para entender que diabos era isso, mas hoje todos os meus blogs estão compatí­veis. Idem para podcasting: meu audioblog também está preparado. Quem quiser acompanhar o que eu publico, é só usar um bom leitor de RSS (tem pra windows, mac, pocketpc, palm…).

Pra descomplicar: RSS é uma maneira de você disponibilizar conteúdo. Eu publico um post no meu blog, e automaticamente ele gera um arquivinho com um resumo do que eu publiquei. Esse arquivinho sempre fresco pode ser lido e importado de um monte de jeitos. Se você usa o blogger, ou usa o movable type, ou muitas outras soluções de publicação, elas geram RSS automaticamente. E para você acompanhar vários RSS ao mesmo tempo, eu sugiro o Awasu, gratuito e legal (www.awasu.com)

Uma vez que meus blogs e coisas online todas estavam compatí­veis com RSS, criei uma página que mostra de uma só vez, automaticamente, as últimas novidades de todos os meus blogs. Eu publico uma foto nova? Aparece lá. Um post novo? Idem. Quem quiser ter uma visão geral do que eu ando fazendo, vê tudo no www.usina.com/varal.

Mais: quem quiser inserir no seu próprio site chamadas para o que eu publico, é só usar meus RSS também.

Quer ver quem faz isso em larga escala? O Yahoo. A home do My Yahoo permite você adicionar blocos de conteúdo de outros sites. Basta eles gerarem… RSS. Veja o site da BBC. CNN. Veja o site… da MSN. Todos eles tem um linkzinho em algum lugar para o RSS. Veja que belo esforço o do projeto RSSficado (http://www.rssficado.com.br )

Eu fico encantado: conteúdo sendo distribuí­do e publicado e trocado e disponibilizado automaticamente, seja para que plataforma for, seja para que sistema for. Pessoas misturando conteúdos de todo canto, pessoas disponibilizando seu trabalho em todas as direções. A tal da web finalmente começa a ter cara de… spider web.

Procure descobrir mais sobre RSS. Aventure-se, explore. Vale a pena.

Voltando à nossa lenda: a escola era a Bauhaus em Weimar, Alemanha. O mestre? Josef Albers. Quando? Lá se vão oitenta anos mais ou menos. O prédio em que você está, a cadeira em que você se senta, tua caneta, muito do nosso repertório cotidiano vem de lá. Pesquise na Wikipedia, vale a pena (www.wikipedia.org , outro belo projeto colaborativo).

Gosto muito dessa lenda. Lenda boa é assim: não tem gnomos, princesas nem bruxos. Lenda boa tem homens, coragem e, sobretudo, a esperança de um final feliz para muita gente. Isso sim é mágico.