minhas impressões do EmTech 2022 – MIT

eu adoro os eventos do MIT Technology Review, adoro. Por quê? Pelas mesmas razões que adoro a Technology Review (sou assinante e follower fiel há anos) e o próprio MIT, solo sagrado que tive a alegria de visitar no EmTech Digital 2022: a paixão pela inovação aliada à paixão pela ética, pelo impacto social, pela dignidade humana.

estou ainda organizando minhas impressões, mas aqui estão alguns vídeos com perguntas que fiz ?

o tema deste EmTech era… Global Challenges, desafios globais, e esta era a agenda geral, que pelo menos em mim criou grandes expectativas:

olhando a agenda detalhada começam a aparecer temas intrigantes, por exemplo: Medicina Programável, Body Tech (não a academia de ginástica, imagino), Reconceitualizando a Internet…

confesso que fiquei com um pé atrás com o tema Moonshot porque isso me lembra dos meus tempos na Singularity University e meu ranço com esse tecno-messianismo continua firme e forte:

EmTech MIT - agenda completa

O workshop Moonshot era presencial mas foi transmitido online, e reconheci logo de cara a velha fórmula da Singularity: alguém hipercarismático tentando contagiar a audiência com uma visão de futuro empolgante, com direito a clichês sobre propósitos transformadores que inspiram a sair da cama, etc etc.
Moonshot é uma referência ao Kennedy propondo irmos a Lua não porque era fácil mas porque era muito difícil, e aparentemente a ideia era estimular os participantes a de entusiasmarem com algo inatingível.
eu já vi esse discurso de perto na Singularity há onze anos, e me espanta que ainda insistam nisso.

Marianne Bonanome Sandbox AQ
Marianne Bonanome Sandbox AQ

fiquei feliz por conseguir emplacar uma pergunta neste debate entre dois comunicadores de ciência, veja o que eu perguntei:

Dr. Kizzmekia Corbett - Harvard T. H. Chan School of Public Health
Dr. Kizzmekia Corbett – Harvard T. H. Chan School of Public Health
Yangyang Cheng - Yale Law School
Yangyang Cheng – Yale Law School
Renée DiResta - Stanford Internet Observatory
Renée DiResta – Stanford Internet Observatory
Kristin Smith - Blockchain Association
Kristin Smith – Blockchain Association
Frank McCourt, Jr. CEO, McCourt Global
Frank McCourt, Jr. CEO, McCourt Global
Hugh Herr - MIT
Hugh Herr – MIT
Naoji Matsuhisa - University of Tokyo
Naoji Matsuhisa – University of Tokyo
Sarah B. Nelson - Kyndryl
Sarah B. Nelson – Kyndryl
Joanne Jang - Open AI
Joanne Jang – Open AI
Raia Hadsell - DeepMind / Yann LeCun - 
Meta / Ashley Llorens -
Microsoft Research / Will Douglas Heaven - 
MIT Technology Review /
Raia Hadsell – DeepMind / Yann LeCun – Meta / Ashley Llorens – Microsoft Research / Will Douglas Heaven – MIT Technology Review /
Raia Hadsell - DeepMind / Yann LeCun - 
Meta / Ashley Llorens -
Microsoft Research / Will Douglas Heaven - 
MIT Technology Review /
Raia Hadsell – DeepMind / Yann LeCun – Meta / Ashley Llorens – Microsoft Research / Will Douglas Heaven – MIT Technology Review /
Ashley Llorens
Microsoft Research
Ashley Llorens Microsoft Research

Future Compute no MIT – minhas impressões

Dê uma olhada na agenda do Future Compute do MIT… por onde eu começo? Como extrair de tantas boas conversar o que mais pode te interessar? Não é fácil…

Eu já era fã do MIT e sobretudo da Technology Review mas quanto mais eu participo dos eventos deles, mais minha admiração se reforça e o Future Compute é praticamente um Q.E.D. disso: conversas abertas e transparentes com expoentes da indústria e da academia e, sobretudo, uma atenção constante ao impacto das tecnologias na sociedade e no meio ambiente. Nada de cybermessianismo, hype barato ou tecnocentrismo e isso se demonstra na maneira como o evento é estruturado: todo palestrante, seja patrocinador ou não, tem meia hora para sua palestra e um outro tanto para debater com o mediador e responder às perguntas da plateia presencial e virtual, e tanto os mediadores quanto as perguntas não dão moleza pra ninguém.

Eu testemunhei essa dinâmica tão especial quando fui presencialmente assistir ao EmTech Digital 2022 (minha primeira ida ao MediaLab!) e respirei essa atmosfera de colaboração, inspiração e humanismo que mesmo virtualmente é a marca registrada do MIT.

O Future Compute aconteceu nos dias 3 e 4 de março de 2022 e eu não perdi nem um instante sequer, pois as discussões foram ótimas. Claro, sempre tem algum executivo de alguma big tech ou sendo vendedor demais ou sendo nerd demais ou sendo arrogante demais, mas felizmente os mediadores conseguiram sempre compensar essas mancadas e não faltaram papos incríveis para recuperar a energia do evento.

Que assuntos o Future Compute escolheu para debater conosco? Computação Quântica, Edge Computing, Criptografia, Lei de Moore, Metaversos, Ciência dos Materiais e tudo isso permeado por uma preocupação constante com a Ética, a sociedade e o meio ambiente.

Quer um exemplo? Quando Manish Sharma da gigante Honeywell contou para nós sobre o esforço da empresa em atingir a neutralidade de carbono na construção civil, indústria que tem uma pegada ambiental pesada, através do uso de IoT e Edge Computing um espectador perguntou se eles não estavam cogitando conectar a cadeia de suprimentos usando blockchain, sua resposta foi: blockchain consome energia demais. Q.E.D.: ninguém ali estava falando de tecnologia pela tecnologia, mas sim sopesando seus impactos positivos e negativos.

Outro exemplo? Quando Phillip Rosedale do Second Life e Dan Sturman do Roblox contaram sobre seus respectivos metaversos, um dos temas centrais foi a civilidade, ou seja, como garantir que os ambientes se mantivessem saudáveis e prósperos sem desandar em polarização, discriminação ou assédio. Gostei muito quando Phillip disse que uma das razões possíveis para que o Second Life continuasse até hoje um ambiente bacana (juro: eu achei que tivesse acabado) é o fato de não adotarem o modelo de negócios do facebook, onde o usuário é trackeado, monitorado e seus dados mais íntimos negociados com anunciantes, modelo que (eu concordo) acaba levando a algoritmos que exponencializam a polarização de qualquer ambiente. Aí vão algumas imagens:

O debate entre Phillip Rosedale e Dan Sturman foi ainda mais rico por conta da incrível Amy Webbs do Future Institute que também fez uma palestra genial sobre seu trabalho como futurista. Aqui vão dois bons momentos:

Outra figura maravilhosa foi o Marco Pistoia do JP Morgan, que não só nos mostrou como o advento da Computação Quântica pode dar uma vantagem enorme às empresas pioneiras como também pode pôr abaixo a segurança de países, companhias e consumidores pelo simples fato de que a criptografia atual deixa de nos proteger a todos. A empresa em que trabalha, o JPMorgan, não só está convertendo seus algoritmos clássicos para versões quânticas como já está realizando provas de conceito bastante impressionantes de transações seguras em nível quântico. Aí vão alguns slides:

Brian Gattoni

Um outro excelente palestrante foi Brian Gattoni do CISA (Cybersecurity and Infrastructure Security Agency) do governo americano, que falou sobre o quanto os EUA estão atentos à ameaça representada pelos ciberataques mais diversos, desde ransomware paralisando hospitais, escolas e infraestrutura (como o traumático incidente na Colonial Pipeline, que comprometeu o abastecimento de energia de milhões de pessoas). Perguntei a ele como fazia para recrutar os melhores talentos, já que o setor público não é tão sexy quanto as big techs ou startups e a resposta dele foi boa: logo depois de ele se formar as Torres Gêmeas foram atacadas e ele imediatamente decidiu que dedicaria sua vida a proteger o país, e é esse senso de patriotismo que atrai jovens profissionais para a missão. Outra sacada boa: ao invés de cada contratado ganhar um crachá meio broxa como “gerente de TI” ou “programador”, novos cargos foram criados para representar melhor os desafios, como “expert em criptografia” ou “cybersegurança”. Gostei.

Jessica Kelly

Num evento do MIT não dá para achar futuro depende só de algoritmos e ideias abstratas, hardware e engenharia são pilares fundamentais da inovação. Jessica Kelly trabalha na indústria automotiva e fez uma palestra interessantíssima sobre o quanto a pandemia afetou a indústria automobilística (200 bilhões de dólares de prejuízo) na medida em que a produção de chips foi concentrada, inicialmente, não na produção de ítens para carros (quem quer carros no lockdown, afinal?) mas sim na demanda explosiva de celulares 5G, laptops e computadores. Quando as pessoas voltaram a comprar carros não havia chips suficientes e o resultado são lojas com fila de espera, montadoras com carros parados por falta de chip e fabricantes de chip solicitando até 72 meses de forecasting das demandas. Quem diria chips de silício poderiam puxar o freio de mão da indústria automotiva?

E reforçando a importância da engenharia e da ciência dos materiais, Tomas Palacios nos mostrou o potencial do grafeno na aceleração de componentes, do nitreto de gálio na questão da energia e conectividade e as novas possibilidades que inovações em materiais permitem, como circuitos flexíveis, componentes do tamanho de células e, quem sabe num futuro próximo, circuitos tão pequenos que possam ser espalhados em aerossol para monitorar o ar e detectar substâncias perigosas. Impressionante, aprendi bastante.

O Future Compute me empolgou tanto que logo de cara me perguntei: como compartilhar o que estou aprendendo agora com quem não pode participar? Twittei, comentei e aí decidi entrar ao vivo a cada intervalo para, no calor da emoção, contar o que eu acabara de ver. Foram 8 lives curtas no total, transmitidas simultaneamente no Twitter, Linkedin, Facebook e Youtube (Streamyard faz isso, adoro), e aí estão as lives todas caso você queira conferir (e caso não tenha tempo agora, pule para o resto do texto)

Se você preferir só ouvir, publiquei o áudio no SoundCloud também, aí está:

Estou inspirado, e estava precisando disso. Bom saber que tem tanta gente boa apaixonada pelo desafio de criar um futuro mais humano para todos nós.

EmTech Digital 2022 e o futuro da AI

(é fácil me achar na foto: procure por uma máscara N95 ?)

Quem acompanhou a minha cobertura do EmTech Digital no MIT deve ter percebido o quanto eu estava empolgado. Eram muitas emoções juntas, afinal: a primeira viagem desde o início da pandemia, o primeiro evento presencial, minha primeira visita ao MIT, a oportunidade de participar presencialmente de um debate tão importante e, eu confesso, uma certa ansiedade de ver tanta gente em Boston e no evento sem máscara nenhuma. Fiquei tão tenso que não tirei minha N95 para nada.

A máscara não me impediu, porém, de interagir e conversar e perguntar e opinar e fazer lives. Algumas das minhas perguntas, aliás, eu consegui registrar (vídeo aí abaixo), outras infelizmente não, e muitas eu não tive chance de colocar, mas conversando aqui e ali com participantes de todo canto eu percebi que eles também saíram de lá com dúvidas em aberto.

Os gigantes de tech estavam todos lá: Microsoft, Google, Adobe, Baidu, Amazon, cada um com cases e números mais impressionantes que o outro, e o evento poderia ser como tantos outros mais um desfile de carros alegóricos de números fantasiosos mas, felizmente, um dos grandes méritos do EmTech poderia se resumir no lema da Royal Society inglesa: Nullius in Verba, falar só não basta, e o ao final de cada apresentação todo palestrante, poderoso ou não, é sabatinado por mediadores bastante inquisitivos e também pelas perguntas tanto da plateia quanto dos participantes online.

O evento se iniciou com a comemoração do aniversário de 10 anos do Deep Learning, e fiquei fã logo de saída do jornalista Will Douglas Heaven, mediador brilhante e apresentador simpaticíssimo.

Vou compartilhar com vocês as palestras que mais me inspiraram, incluindo as perguntas que fiz ou queria ter feito. Aí vão elas:

Consegui fazer uma pergunta para o Andrew Ng, que palestrou sobre maneiras de otimizar o uso de dados para treinar AI: estamos falando aqui de como otimizar o uso de dados, mas e os dados ausentes? Não estaríamos usando os mesmos dados de sempre sobre as mesmas pessoas de sempre deixando o resto do mundo de fora?

Fiz uma pergunta também para a Haniyeh Mahmoudian, que palestrou sobre Thought Leadership in Responsible AI: como falar de ética num ambiente onde a meta é o crescimento a qualquer custo?

Ela me deu uma boa sugestão: tentar demonstrar o quanto um escândalo de ética pode comprometer os resultados financeiros. Gostei.

Emplaquei uma pergunta para o Prem Natarajan, VP da Alexa na Amazonm que palestrou sobre Alexas aprendendo “na borda” com cada usuário: se cada Alexa aprender localmente com cada usuário, isso quer dizer que a Alexa da mediadora, muito mais inteligente do que eu, vai ficar muito mais esperta que a minha Alexa?

A resposta dele foi boa: a ideia é que a mediadora reconheça a Alexa dela como cada vez mais inteligente e que eu reconheça a minha como cada vez mais inteligente, e eu não ficaria satisfeito com o rumo que a Alexa da mediadora tomou.

O que eu queria ter perguntado para o Andrew Moore do Google, que fez uma palestra muito interessante sobre como garantir o sucesso da implementação de AI: o hype excessivo sobre o potencial da AI não estaria criando expectativas irreais? (Eu estava pensando nos resultados decepcionantes do Watson até agora ou os tropeços do Google na área de saúde)

O que me deixou muito, mas muito feliz foi ter feito para Nicol Turner Lee (The AI Policies We Need) uma pergunta que estava me consumindo o dia todo: como fazer para que a desigualdade e a injustiça não sejam reforçadas pela AI que deixa de lado dados invisíveis sobre pessoas invisíveis?

a resposta dela foi maravilhosa e está neste vídeo aí abaixo, confira.

A apresentação da Adobe foi bastante impressionante, e o tema era o design tanto de produtos quanto de componentes e até mesmo de arquitetura usando processos generativos e AI e os resultados são de cair o queixo, coisas que nenhum humano imaginaria sozinho. Consegui puxar prosa com o evangelista da Adobe no coffee break e perguntei para ele sobre o quanto esse design generativo depende de novas tecnologias de manufatura, como impressão 3D por exemplo. A resposta? Visceralmente.

Essa moça me deixou meio apavorado, confesso. A Julia Xung Li trabalha na Baidu e veio nos apresentar um projeto que basicamente transforma um texto… em um vídeo bem acabado. O exemplo era prosaico: uma moça foi fazer um passeio numa região turística e escreveu sobre as festividades que assistiu. O robô interpretou o texto, buscou vídeos pertinentes, editou, acrescentou uma locução sintética, uma trilha sonora e voilà, um vídeo super redondinho com as glórias do folclore nacional.

Fiquei amedrontado por várias razões:

  1. o robô chinês certamente segue as diretrizes do PC chinês e só vai buscar conteúdos aprovados pelo partidão
  2. pra quem produz fake news isso é um sonho, e não há como o jornalismo ou a educação científica competir com algo produzido nessa escala e nessa velocidade
  3. criadores de conteúdo como eu estão com os dias contados…

Poupei-a das minhas perguntas. Ela certamente não poderia respondê-las.

Gostei muito da palestra do Sheldon Fernandez, cuja startup se esforça por criar explicabilidade nas decisões tomadas não em AI’s na nuvem, mas sim em AI’s que estão na “borda”, nos carros, nos aparelhos portáteis, nas aeronaves. O tema da explicabilidade, que é a esperança de que um robô consiga explicar e documentar como tomou uma decisão acabou sendo um dos eixos centrais do evento, e o próprio Dave Ferrucci manifestou sua preocupação com o problema. Ninguém quer ser escravo de uma caixa preta que toma decisões inescrutáveis, não é?

Muito impressionante a apresentação do Ali Alvi da Microsoft, eu não tinha ideia do quão poderoso era o projeto Turing da Microsoft. Três coisas me impressionaram: ver a rapidez crescente com a qual uma AI alcança a capacidade humana (veja a foto abaixo), a noção de que a partir de um certo tamanho de rede neural e de parâmetros e de dados a capacidade decola além do esperado e a afirmação meio melancólica que AI agora é coisa de peixe grande e os pequenos nem deveriam tentar concorrer com os colossos.

Uma reflexão que vale para várias outras palestras impressionantes dos outros gigantes: sim, estamos impressionados com o que vocês são capazes de fazer, mas e daí? Qual a visão de futuro? Qual o modelo de negócios? Estamos assistindo a mais uma corrida armamentista sem sentido pra ver quem tem a AI maior?

O Google mandou esse cara, provavelmente um gênio, para falar coisas que certamente empolgariam outros gênios, mas como não sou um gênio acho que foi uma oportunidade perdida. Eu esperava mais do Google, e novamente saí da palestra sem nenhuma luz sobre o futuro, sem nenhuma visão inspiradora. Empresas de tech têm que aprender que não adianta pregar para os convertidos, um pouco de carisma e multidisciplinaridade ajuda sempre.

Eu estava animado com a palestra da OpenAI mas acabei me decepcionando e ganhando um pesadelo novo: depois de uma apresentação meio xoxa sobre GPT-3 e 4, a moça resolveu tentar ser divertida mostrando como o novo projeto Dall-E é capaz de transformar um pedido em texto… numa imagem de qualidade fotográfica. O primeiro exemplo: faça uma cadeira que lembre um abacate. Resultado: três imagens perfeitas que poderiam estar num catálogo de móveis bizarros. Outro: faça gatos jogarem xadrez no estilo de Salvador Dali. Resultado? Veja a imagem acima.

Um pesadelo. Mais alguém sem a menor noção de quanto alguns dos trunfos da AI podem ser, como se diz em inglês, creepy no último.

Finalmente um case de negócios: a Wayfair demonstrando como usa AI em diferentes processos da empresa, desde busca por produtos até esforços de marketing. Belo exemplo, mas nada revolucionário. Ou talvez seja realmente revolucionário ver alguém conseguindo implementar o básico do básico, algo que a julgar pelos queixumes de vários presentes parece ser simplesmente inatingível.

Mais uma gafe comum em empresas de tech: mandar alguém com completa incapacidade de descer do salto alto. A representante da SAP demonstrou conhecimento vasto e profundo e, infelizmente, arrogância e postura autoritária. Isso não surpreende a quem já transitou pelo universo paralelo corporativo, é comuníssimo que executivos poderosos esqueçam que a sua estatura volta ao normal quando sai dos limites da fiRma. Felizmente participou do debate uma figura encantadora e genial, David Simchi-Levi, um especialista em logística com uma visão fascinante da complexidade tanto da economia quanto da história, do clima e da geografia. Vou pesquisar mais a respeito do seu trabalho.

Esta palestra ilustra o que foi sem dúvida o eixo central de todo o evento: as implicações éticas da tecnologia e como dar visibilidade a tudo o que é deixado de lado em muitos modelos de AI.

Essa moça valeu meu dia: Tara Chklovski, CEO da Technovation, mostrou como a sua ONG empodera meninas no mundo todo através da tecnologia. Foi emocionante. Eu a procurei no coffee break para cobri-la de elogios e ela me convidou a conhecer o trabalho deles no Brasil. Farei isso.

Mais uma vez Google perdendo uma oportunidade de ser impactante: a moça muito simpática começou sua palestra falando sobre uma nova estratégia de aprendizado de robôs, onde uma dupla de robozinhos instiga um ao outro e se desafiam para aprenderem mais rapidamente. Em pouco tempo o papo ficou técnico demais (ao menos para mim) e, quando questionada sobre aplicações dessa técnica, ela acabou citando exemplos internos do Google, como melhoria no desempenho do seu assistente. Ok então. Saímos de novo sem nenhuma inspiração palpável.

A última palestra foi com uma lenda: Dave Ferrucci, um dos pais do Watson da IBM. Suas preocupações centrais: explicabilidade, o hype sobre Artificial General Intelligence e uma inquietude sobre o futuro da tecnologia. Quem diria…
Consegui fazer uma pergunta: se um humano sozinho não toma boas decisões, por que estamos propondo inteligências artificiais que aparentemente também tomam decisões sozinhas?

Ele me corrigiu e disse que as decisões que o Watson tomou no concurso do Jeopardy foram na verdade uma ponderação de vários agentes trabalhando em paralelo. Complementou dizendo que decisões coletivas nem sempre são boas, fazendo uma alusão meio irônica ao que a democracia vem gerando por aí.

E voilà, o evento chegou ao fim. Discussões riquíssimas, zero espaço para bullshitagem de patrocinadores, boas conversas de corredor e excelentes contatos novos. Quais as grandes lições para mim?

1. Ética importa mais do que nunca

2. Diversidade e transparência e inclusão importam mais do que nunca

3. Mesmo os gigantes ainda não sabem muito bem o que fazer com seus brinquedos tão poderosos.

Agora fica a dúvida: como trazer esse nível de consciência e questionamento para um mercado focado no crescimento a qualquer custo? Ainda não sei, mas vou continuar pondo meu coração e energia nisso.

Aqui vão alguns mimos, espero que você goste: um passeio pelo evento e pelo campus com uma câmera 360, wrap-ups diários e um encerramento bastante emocionado ao vivo e a cores. Divirta-se e… inspire-se!

Enquanto eu estava no evento eu fiz várias lives super empolgadas… no instagram. foi uma boa decisão? não sei… por isso juntei todas as lives num vídeo só, divirta-se ?

Ao final de cada dia fiz wrap-ups antes que minha memória de passarinho perdesse os detalhes para sempre: