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palestra: O Que Vem Depois Das Tecnologias Exponenciais? Digital Summit 2018

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aqui está a íntegra da minha palestra no Digital Summit na Digital House @digitalhousebr – O Que Vem Depois Das Tecnologias Exponenciais?

alguns links:

meus reviews de livros, o Leia Vale a Pena: http://leiavaleapena.tumblr.com
minhas palestras online https://usina.com/u/palestras
Geert Hofstede www.geert-hofstede.com
Complexity Explorer www.complexityexplorer.org
Earth Overshoot Day https://www.overshootday.org

aqui está uma versão apenas em áudio:

direto do ano 2000, um presente para a minha irmã!

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Minha querida irmã me mandou hoje, por whatsapp, um artigo que dediquei a ela… no ano 2000.

Fiquei emocionado. Dezoito anos depois minha sobrinha é um orgulho para todos nós e, pra minha surpresa, continuo acreditando no que acreditava naqueles tempos tão diferentes de hoje em que o Ning é uma lembrança distante.

Aqui está o artigo (parte hoje de uma coletânea de 93 artigos publicados na revista WIDE, hoje um pdf gratuito)

A Arquitetura do Pá-Pum

Blim-blom. Mensagem no meu Live Messenger: – Irmão, passei!

Proud of you, minha irmã. Proud pra caramba! Encarar uma segunda faculdade com os filhos já grandinhos e um curso completamente diferente do Direito é realmente de se tirar o chapéu. Pa-ra-béns.

Minha irmã está cursando arquitetura agora. Genial. Se pudesse voltar no tempo, eu cursaria arquitetura também. Nenhuma disciplina, eu creio, jamais se preocupou de maneira tão completa com a experiência do usuário. Quem sabe um dia eu não… Well, quem sabe?

Ok, nós também desenhamos experiências de usuário. Temos até arquitetos de informação, não? E engenheiros, e especialistas em “fachada”/front-end… Mas eu sinto que falta uma disciplina, uma que me fascina e a qual eu tenho explorado tateando no escuro, em Braille mesmo, dando tropeços e cabeçadas toda hora.

Falta uma disciplina que pense além de fachadas, planta, pilares, decoração ou estilo. Falta o Urbanismo Digital. Ou talvez a Arquitetura Social. Ou, quem sabe, a Mecânica dos Desejos Fluidos. Ou a Resistência das Percepções. Ou o Eletromagnetismo Carismático. Ou a Cinemática das Interações. Ou a Termodinâmica das Conversas. Ou…

Well, falta um monte. Acho melhor eu escrever um livro só das coisas que me faltam : )

Vou dar um exemplo que conheço de perto. De dentro, melhor dizendo. Eu criei, em 2001, uma lista de discussão num serviço chamado Topica. Nascia o Radinho de Pilha. Da Topica migramos para o Yahoo! Grupos, um ambiente com um monte de funcionalidades novas: enquetes, fotos, arquivos, mas que continuava sendo basicamente uma lista de discussão por e-mail.

Como funciona uma lista de discussão por e-mail? Sem querer soar demasiado técnico, a mecânica é pá-pum. Ou melhor, um pá e centenas de pums, já que todo mundo recebe no ato o pá original. Recebeu o pum? Pá-pum, responde no ato. É como um motor a dois puns, quero dizer, a dois tempos.

Listas de discussão giram numa velocidade alta, geram um volume gigante de mensagens e mantém um ruidinho gostoso no inbox com seus puns constantes. Mais ou menos como uma Harley.

Primeiro problema: nem todo mundo fica o tempo todo on-line. Quando o cara se loga no final do dia, é pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá, uma metralhada de mensagens. E para acompanhar isso? Haja pum.

Em suma: com essa mecânica em alta rotação, muita gente boa e ocupada simplesmente pula fora. E sobra gente com tempo livre e muito gás.

Segundo problema: e-mail não é conversa. E-mail é um solilóquio com direito à réplica. Conversa para mim pressupõe que eu saiba com quem estou falando. Numa lista assim, você não conhece teus interlocutores. Ele tem 15 anos? 55? Mora em NY ou no meio do nada? Ok, parece tolice, mas isso faz toda a diferença.

Terceiro problema: quanto mais uma lista dessas cresce, pior ficam os problemas. Maior volume de mensagens, mais gente desconhecida, maior risco de fagulhas virarem incêndios. Mais ou menos o que aconteceu com Chicago e San Francisco, no começo do século passado: pega fogo.

Tomei uma decisão radical e decidi migrar o Radinho para o Ning.

Decisão difícil, pois a quem pertence uma comunidade, enfim? Well, podemos discutir essa questão por semanas, mas tem hora que não dá tempo para ser democrático. Mudei antes que a casa caísse. No Ning, dá para pensar em urbanismo digital. No Ning, os radianos podem criar grupos diferentes. No Ning, cada um tem seu blog, seu perfil, suas fotos. No Ning, cada um escolhe seus amigos. Passamos de um saco de gatos, uma comuna, para um ambiente onde todos zelam pela sua imagem, seu cantinho, seus amigos e onde, sobretudo, a comunicação não é mais por e-mail, mas sim por tópicos, como num fórum.

Puxa, e aquele pum-pum-pum-pum no inbox, aquele barulhinho bom de mensagens chegando? Acabou. O pá-pum sem fim foi trocado por um sem-fim de RSS que cada um pode assinar: o RSS do blog do amigo, do grupo X, do grupo Y… Cada um escolhe o que acompanhar.

Que nome você dá para isso tudo? É só uma questão de funcionalidades? Uma questão de ser web 2.0 ou outro jargão qualquer? Para mim, é uma questão de desenho de experiência, de arquitetura das interações humanas, de urbanismo das redes sociais.

Minha little sister me inspirou. Quando crescer quero ser arquiteto. Arquiteto digital.