a usina é um espaço dedicado a profissionais interativos e centraliza tudo que eu, rené de paula jr, produzo sem parar em videos, podcasts, artigos e palestras

escrevendo pra todo lado e rezando pro Google me salvar

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eu produzo muito.  ponto.  produzo sem parar. 

multiplique isso por uns 15 anos e o resultado é, ao menos pra alguém desorganizado como eu, um nó que só o Google (espero) há de destrinchar.

só pra dar uma idéia do tanto que já publiquei por aí (sem mencionar os artigos pra Webinsider, Revista Wide, Revista Locaweb, etc etc), aqui vai um caminho das pedras:

 

  1. o internet tête-à-tête foi uma tentativa minha de organizar alguns artigos meus que estavam voando por aí.  dê uma olhada, boa parte deles ainda está valendo (mesmo 6 a 8 anos depois)image
  2. antes disso eu havia publicado uma outra coletânea no www.usina.com/textos , com direito a um e-book gratuito Smile image
  3. em paralelo eu comecei vários projetos um pouco mais autorais, pessoais, líricos e tal.   um deles é o 2 ou 3, inspirado num filme e dedicado indiretamente a cidade em que vivoimage
  4. outro experimento autoral bem singular e rico (pra mim, ao menos) foi o língua, onde eu revisitei até esgotar uma lembrança isolada.  vale a leitura.image
  5. o solo talvez tenha sido o projeto mais longo e sistemático: todo dia eu acordava, escolhia uma foto minha e dedicava 10min a escrever o que me desse na telha.   foram uns bons anos, uns 600 posts e alguns resultados bem bons.image
  6. por último o bom e velho roda e avisa, onde publico há anos e anos podcasts e videos com reflexões improvisadas sobre cultura digitalimage
  7. sem falar, claro, na única hora em que eu não falo: minhas fotos (umas 7000) no flickr:image

 

acho que é isso.  por enquanto, claro Smile 

e prometo que um dia ponho ordem nessa zona toda.

Silêncios Reunidos

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artigo para webinsider, abril de 2004

Curso de lí­ngua é assim, você acaba tendo que ler livros que não leria espontaneamente ou que talvez nem descobrisse sozinho, e foi assim que li uma historia estranhí­ssima, passada numa estação de rádio. O tí­tulo era algo como Das gesammelte Schweigen des Doktors…”, nem me lembro mais.

Um dos personagens da história produzia um programa de entrevistas, e guardava escondido numa caixinha inúmeros tecos de fita magnética, daquelas de rolo, todas elas organizadas, etiquetadinhas, coisa de alemão mesmo.

Cada tequinho continha… um silêncio de alguém, e nas etiquetas lia-se fulano de tal pensando antes de responder sobre a dolorosa questão X, ou pausa de sicrano antes de entender a piada Y e finalmente rir . Silêncios com CIC e RG.

Você, leitor assí­duo do webinsider, colecionou sem querer um trecho autêntico de silêncio meu, e uma boa etiquetinha seria: rené pensando por meses em algo que valesse a pena ser dito.

Vale alguma coisa um bom naco de silêncio? É por quilo, por hora, por metro quadrado?

Silêncio pode não ter preço, mas tem custo, e eis aí­ o que me finalmente tirou do mutismo: quanto custa o que nunca é dito? Quem paga essa conta?

Ops… isso não é justo. Demorei meses para chegar a essa pergunta, e não é nada legal jogá-la assim na mesa sem uma introdução sequer. Comecemos então, pelo que é legal.

Ser brasileiro é bem legal. O clima é legal, a comida é legal, a música é super legal. Trabalhar com internet também é muito legal, é ou não é?

Pode responder que não, fique à vontade. Eu sei que não é legal falar das coisas ruins, não pega bem. É chato ser chato. Nada é mais chato do que você perguntar e aí­, tudo legal? e o cara dizer que não, e ainda por cima explicar.

Pois bem: eu sou meio chato. Assumo. Volta e meia piso na bola. Pago o preço por ser meio mala, recebo em troca silêncio, no máximo um eco ou outro.

Colocar problemas debaixo do tapete, contudo, pode até deixar a festa mais bonita, mas uma hora a gente tropeça no calombo.

De que problemas estou falando? Vou falar de novo da dificuldade quase incontornável de se trabalhar legalmente, ou seja, pagando os impostos, licenciando softwares, pagando salários decentes? Ou vou de novo reclamar de quem conta milagres mas não conta os santos, muito menos os demônios? Deixa pra lá, isso já falei.

O que pega pra mim agora é nosso jeito legal de trabalhar: informalmente, sem método, no improviso, sem documentação decente, sem definições claras de escopo, de contrato, nada. Super legal, não? Pra mim não.

Chame-me de chato, mas chato mesmo é ter que adivinhar o que é para ser feito, ou ter que adivinhar como algo foi feito, ou ter que resolver no grito, na porrada, algo que poderia ter sido definido tranqí¼ilamente no começo do trabalho.

Isso é tão chato, mas tão chato que ninguém nunca comenta, e tanto faz se vai acontecer tudo de novo, porque no final a gente se vira, o outro cara se vira, o fornecedor se vira, e no final o site vai pro ar (ou o banner, ou o hot-site, ou seja o que for). Tirando os mortos e feridos, salvam-se todos.

É um jeito de se trabalhar. O trabalho sai, não sai? Então. Mas estamos sempre reinventando a roda, andando em cí­rculos, girando em falso, e não é pra menos que para qualquer veterano da área a impressão é que, apesar dos anos todos, avançamos muito pouco.

Sabe onde avançamos? Nos lugares onde se criaram processos bacanas, documentos e metodologias de primeira, onde profissionais compartilharam seus erros e acertos, onde se deu um passo adiante na direção da transparência, da qualidade, da ética.

Resolver coisas no improviso não deixa história, não cria cultura, não deixa legado. Jeitinho não faz nação, nem que tenhamos mais 500 anos pra tentar.

Well, meu negócio é outro. Legal para mim é deixar legado.

Silêncios Esparsos

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artigo publicado no webinsider

Meses de silêncio, eu disse? Menti: nunca falei tanto. Se somar o que eu tagarelei nos últimos meses dava um compêndio ou, no mí­nimo, um dossiê psiquiátrico. Falei muito.

Você não ouviu? Não faz mal, eram delí­rios mesmo, idéias soltas que não tiveram força para mover meus dedos. Se fosse alguns séculos atrás valeria o verba volent, scripta manent, e as palavras voariam enquanto textos ficam.

As minhas palavras, porém, ficaram, voaram e se multiplicam nas asas do MP3, pousadas tranqí¼ilamente no Roda&Avisa, audioblog que foi minha válvula de escape nesses meses todos de abstinência articulí­stica.

Adorei a idéia. Achei que rich media seria uma maneira… mais rica de me expressar. Cada post improvisado, com seus sete minutos e pouco, continha muito mais elementos do que meras letrinhas e espaços em verdana font size 2.

Mais rico? Errei. Errei longe.

Riqueza mesmo não é timbre, timing, voz embargada. Rico mesmo é algo que só texto tem: entrelinhas.

Você me lê agora, e mesmo sem querer ouve uma voz, imagina um autor, me põe num cenário, e shazam! Eis um René tailor-made, exclusivo, personalizado, um René único entre inúmeros Renés diferentes, tão diferentes quanto são os leitores deste artigo.

Entrelinhas são a bruxaria do texto. Palavras são mera moldura: a natureza humana abomina o vácuo, e a imaginação é uma tapadora automática de buracos, completando elipses, preenchendo o não-dito, até que um bom slogan de meia linha vire um universo afetivo completo.

É por isso, talvez, que emails nos tocam fundo, que emoticons e abs e bjs e LOL nos sejam tão caros, tão vivos. Eles são caixinhas de entrelinhas, cápsulas de nada que enchemos com o carinho que precisamos tanto.

Texto a gente elabora, reescreve, repensa, e quando aquela colherada de letrinhas parte bits afora vai impregnada de humanidade, levando o melhor de nós. Voz não, voz vai saindo, voz trai a gente, engasga, desafina, e nunca vem a palavra correta, certeira, a palavra mágica.

Vejam os Orkuts, os Friendsters, os MatchMakers do digimundo: almas de todo canto compondo auto-retratos em letrinhas, mosaicos de fotos seletas, empacotando para presente o melhor de si, criando playgrounds para a imaginação alheia.

Linhas e entrelinhas e palavras são nossa teia, são com elas que capturamos uns aos outros. É nos vãos dessa trama que entretecemos sonhos comuns.

Eu não me iludo: metade do digimundo é fantasia. Mas me engana que eu gosto.