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Não faça isso em casa

tantan

A foto ao lado é uma proeza. Seu poder de fascinação escapa ao olhar do leigo. Se o milagre não se revelou à você imediatamente, resigne-se. Não adianta analisar a luz (100% casual), o tema (um must em folhinhas de lavanderia) nem o enquadramento (descuidado).

Um camundongo, por outro lado, estaria agora embevecido, extasiado.

Gerações de ratos acalentaram o sonho do gato com um guizo no pescoço. A idéia era brilhante, quase óbvia. Só não atinaram até hoje em como colocar o guizo lá.

Para humanos que têm um gato (se é que possível ter um gato), o paradoxo “gato estável versus chocalho no pescoço” é intrigante. Essa mistura gera uma instabilidade explosiva, uma distorção no espaço-tempo que desencadeia um tufão incontrolável. Esse dom furioso é precoce, e se manifesta mesmo em espécimes simpáticos como o (agora ilustre) ilustrado.

Eu jamais publicaria essa foto singela sem um alerta garrafal: “não tente isso sem supervisão de um adulto treinado”. 

O mesmo alerta vale para a web.

Metade do meu tempo (e dos meus pares) é dedicado a vender as maravilhas da mídia interativa, metade a criar e produzir o que vendemos. Na outra metade (!) faço o que estou fazendo agora: colaboro para que não se compre gato por lebre.

Algumas coisas são fáceis de se vender. Paraísos, por exemplo. Só  se chega lá morrendo, e aí não dá mais pra reclamar.

Vender web – antes um sacerdócio – bruscamente tornou-se uma delícia. Todos querem comprar, todos podem pagar. (Não me pergunte que milagre foi esse, só sei que não foi por falta de reza nossa).

Você deve estar comprando web, suponho, seja um bannerzinho modesto ou uma solução de e-commerce e CRM, e nessa altura todo conselho, mesmo de graça, pode ser bom. Vamos lá.

Ok, você comprou a idéia do gato com guizo. O projeto parece ser fiel à sua marca, e está em sintonia com sua estratégia de marketing, CRM, e tudo o mais. Tão importante quanto o projeto é o plano para se chegar lá. Um bom projeto deve incluir um cronograma de implantação, com fases, entregas e materiais necessários a cada passo.

Outro sinal de um bom projeto é a sua flexibilidade. Se um gato é um moving target bastante inquieto, a web é mais imprevisível ainda, e toda projeção a longo prazo deve ser bastante cautelosa. Pense em escalabilidade, expansão modular e correções periódicas de rumo. Cuidado com tecnologias proprietárias ou pacotes fechados.

Pronto, o gato está devidamente equipado. O que garante que em um requebro, três contorções e duas acrobacias (ou seja, em um segundo e meio) esse guizo não se soltará?

Traduzindo: como você vai garantir a qualidade da sua presença online a médio e longo prazo?

Exija do seu fornecedor clareza quanto à manutenção/atualização do website. Pergunte a ele:

A freqüência de atualização é compatível com a dinâmica (ou a falta de dinâmica) do seu negócio?

Quem vai ser responsável pela freshness do conteúdo?

Quem vai gerar esse conteúdo?

Caso a responsabilidade pela atualização seja dos seus funcionários, quais serão as ferramentas necessárias?

Quanto tempo de treinamento será oferecido?

Um conselho derradeiro: tente ver seu candidato a fornecedor como um candidato a parceiro. Um website é um work in progress, e você precisará de alguém que te conduza pelo tempo afora. Portanto, desconfie de sabichões e donos da verdade. Trabalhar com web requer um aprendizado constante, e humildade e transparência são fundamentais.

Pelo bem da verdade: precisei de uma dúzia de cliques para a bendita foto. Mais: o guizo não durou nada. O que está durando mesmo é a cicatriz das unhadas.




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