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artigos de rené de paula jr.


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Prometeu não nega fogo

Uma charge do Millôr mostrava, semanas atrás, duas moçoilas de biquini na rua - cidade maravilhosa, o Rio - sendo surpreendidas por três exibicionistas septuagenários, que abriam os casacões ostentando suas libidos em riste. Uma delas exclama: “Com esse Viagra os velhinhos andam impossíveis!” Pois é, com o Cyberlion que a DM9/DDB e a Urbana trouxeram de Cannes, somos nós, os webcreatives tupiniquins, que vamos desfilar nosso tesão,  potência e sex-appeal. Agora a coisa vai.

Ou aproveitando a onda Viagra, agora ou dá ou desce.

A abertura do site, um nu masculino “powered by” duas pilhas alcalinas, funcionou duas vezes (Viagra!): essa conquista do webdesign nacional deu uma injeção de ânimo em todos nós, até então “powered by” um entusiasmo inexplicável.

E mais: temos agora uma agência e uma produtora com destaque mundial, e assim como nas pilhas, uma diferença de potencial, mesmo que modesta, gera tensão e move máquinas. Estou falando aqui de rivalidade, competição, emulação, ou seja qual for a palavra para descrever o verdadeiro Viagra do métier publicitário.

Fico duplamente feliz com essa vitória porque ela consagra várias qualidades fundamentais desse website:

- é um site de marketing de produto
- está vinculado a uma estratégia de marketing
-do ponto de vista estético é uma porrada nos cornos (na era A.V., Antes do Viagra, diríamos impactante)
- do ponto de vista da comunicação é pá-pum (A.V.: eficiente)
- é tecnologicamente enxuto
- é rápido
- é funcional
- é temporário
- é trend-setting, admitamos

Em resumo, eu tiraria o meu chapéu, se usasse um. (Uma digressãozinha biográfica: meu avô, desiludido com seu tino comercial, dizia que o dia em que ele fabricasse chapéus, todo mundo nasceria sem cabeça. O Lollo lembrou outra tirada análoga: o dia em que comprasse um circo o anão crescia. Mas como essa envolve pessoas verticalmente desfavorecidas, fico com a piadinha do meu avô, tem um toque Magritte).

(Outra digressão familiar: injustiça meu avô ter morrido A.V. Se ele soubesse da iminência do milagre acho que tentaria estender seu deadline).

Ora, pílulas. Há trinta e tantos anos o anticoncepcional, uma pilulinha baratinha, virou o mundo literalmente de pernas pro ar. Curioso, não? Uma pílula anti-fecundação tão prenhe de consequências maravilhosas.

Naqueles idos anos eu pensava em como ia ser o ano 2000. (Que remédio? Eu era muito novo pra entrar na suruba geral, tinha mais é que pensar bobagens). Ficava imaginando como seria a grande festa mundial, e fogos e coisa e tal. O que não me passava pela cabeça é que Prometeu ia nos conceder a versão 2.0 do fogo celestial, o segredo da chama eterna, e que no revéillon do milênio, nossos fogos não darão chabu.

Outra digressão, essa de caráter mercadológico e fashion: na era D.V. (depois do Viagra), as gravatas serão extintas ou aumentarão ainda mais? Não duvido que alguém - parodiando a Intel - crie gravatas com um selo “Viagra Inside”. A dúvida é séria: o que será dos símbolos fálicos, agora que o dito cujo fala por si só? Venderemos mais pick-ups incrementadas? Mais charutos? Menos chinelos? Só o tempo dirá.

Última digressão: alguns sites nacionais tiveram sua competitividade prejudicada por problemas nos servidores de hosting. Eu sempre digo: na hora do vamos-ver, performance é tudo. Provedores de hosting podem ter um papo sedutor, mas na hora h, nada substitui the real thing, o desempenho.

Basta de digressões. O que interessa, na verdade, é que o leão foi merecido, e que essa conquista deve abrir novos horizontes para as mídias interativas no Brasil. Parabéns DM9/DDB, parabéns Urbana.

(Aliás, mais uma digressão: parece que o leão é o único mamífero sexualmente mais ativo do que o homem. O cabeludo é um atleta incansável. Deve ser por isso que as leoas nem juba tem, mais. Mas os leões que se cuidem. Um dia sai o Viagra 2.0, com um milagroso tônico capilar.)




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