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À sua imagem e semelhança

resenha publicada na revista Carta.Com, outubro de 2000

Todas as culturas, todas as religiões têm uma zona sinistra, obscura, onde a luz jamais penetra. Pense em limbo, em inferno, no inconsciente, no caos.

Gaveta, pra mim, é assim. Dê-me uma gaveta e eu aumento a entropia do universo em quatro pontos.

Demorei a perceber o problema (minha mãe não), e hoje convivo com isso sem drama (meu assistente não). Tanto é que sempre digo: não me dêem gavetas.

Meu karma driblou rapidamente essa medida profilática. Toda máquina que uso tem, logo no desktop, um obeso diretório chamado "gaveta". Dentro, reina o acaso.

Talvez por conta dessa tendência à desordem eu teste todos os gerenciadores de informação que aparecem no meu caminho.

Uma das sacadas mais fascinantes que encontrei foi a do "The Brain": se nosso cérebro funciona por associações, sinapses, hyperlinks, por que procurar arquivos em diretórios dentro de diretórios dentro de diretórios? Que a máquina se adapte a nós, e não o contrário.

O fruto dessa idéia é um software fascinante. Você cria um novo "pensamento" (um novo projeto, por exemplo) e associa a ele arquivos que podem estar espalhados na sua máquina ou na rede. Esse pensamento você pode associa a outros correlatos. Em pouco tempo você terá uma trama de informações inter-relacionadas, que refletem com precisão o seu universo mental.

A maravilha é que essa "rede" de pensamentos e associações não altera a maneira como os arquivos são armazenados: o que você guarda são links pra esses arquivos. O "brain" paira sobre o seu computador como o espírito sobre a matéria, tanto é que um outro usuário pode criar um "brain" diferente nessa mesma máquina.

"Salvei" na época (na gaveta, claro) uma entrevista visionária com o criador do "Brain", que sonhava com a fusão de brains individuais em brains coletivos.

Para resgatar essa entrevista do caos gavetal tive que recorrer ao clássico "localizar arquivos". Não usei o Brain. Há séculos não o uso.

Por que? Simples: ele parecia demais comigo. Só eu podia usá-lo. Para meu assistente ele era tão impenetrável quanto minha gaveta real. E mais: por mais "etéreo" que seja, ele ainda é muito atrelado a um pc. Se eu mudo de máquina ou se uso um laptop, ele não "reencarna" em outro corpo.

A transmigração digital de almas é importante para você? Depois eu comento, então, o I-Harvest. Para transcender o eu individual, há o Correlate. Devo ter outros na gaveta, mas preciso procurar.

Links

www.thebrain.com
www.iharvest.com
www.correlate.com




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