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internet tête-à-tête artigos de rené de paula jr. |
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tempos atrás li um artigo no impecável webinsider, e fiquei incomodado. pensei em responder, mas acabei perdendo o timing. semana passada o autor reincidiu, e enviou uma continuação do primeiro. não pensei duas vezes: repliquei. deveria ter pensado duas vezes, ou três, ou quatro, não para abrir mão da réplica, mas sim para tê-la feito com mais gume, com mais foco. o calor da emoção embota farpas. aqui está minha modesta e irritada resposta, que Vicente Tardin publicou imediatamente: Onde está você? Em 1997? Vivo do meu trabalho com internet há cinco anos, e se aprendi alguma coisa, foi sobretudo com meus erros. Hoje vejo que nosso metier é muito mais iterativo do que interativo. Por que erramos com tanta freqüência? Por que muitas vezes alguns "azarões" simplesmente acertam na mosca, contrariando qualquer previsão, ao passo que business plans brilhantes naufragam a cada dia? Na minha humilde opinião, é porque a alma, o motor, a força interna da internet nos escapa. A energia que a fez crescer e se multiplicar vem de fontes novas, que não tinham até então vazão. O que há de tão forte na internet que faz com que pessoas leigas se aventurem com PCs indóceis, conexões instáveis, softwares inacabados? O entretenimento? Eu acho que não. Para isso a internet ainda é uma plataforma sofrível, e o será por um bom tempo. Entretenimento e diversão são commodities, estão presentes a cada segundo da nossa experiência. Para mim entretenimento já beira o incommodity. O germe da internet é, ao meu ver, o fato de ela permitir diálogos. Diálogos entre pessoas, entre máquinas, entre empresas e consumidores. O diálogo enfim é possível porque encontrou-se uma uma língua universal (o html, por exemplo), e sobretudo porque as duas pontas do diálogo podem ouvir e falar. Podem aprender um sobre o outro. Podem solicitar e atender. Podem prometer e cumprir. A minha vida toda vi anúncios que me prometiam, me seduziam, me encantavam e entretinham, mas não me entregavam nada, apenas sonhos e quimeras. Hoje trabalho com uma plataforma em que pessoas estão redescobrindo o que é autonomia, privacidade, dignidade e humanidade. Os primeiros projetos interativos pecavam porque focavam naquilo que o browser e o PC podiam mostrar: multimídias, interatividade vazia. Esses projetos evoluíram, e focaram naquilo que é possível gerar através do diálogo e da interação. Acompanhe a trajetória de qualquer site de sucesso e veja um aumento da usabilidade, uma diminuição do que é supérfluo, um investimento metódico na facilidade de uso, eficiência, intuitividade e rapidez. Hoje olha-se pra lua, e não para o dedo que aponta. Mauro, eu compreendo a sua necessidade de "emoção". No começo é assim mesmo. Mas emoção maior do que a de se sentir um ser humano ativo e pleno, eu não conheço. Para isso não preciso de um hopi hari inteiro. Precisei apenas de uma mensagem em texto simples no meu cliente de e-mail, e a certeza de que em pouco tempo ela estaria publicada pro mundo todo, aberta a réplicas e tréplicas. Isso sim é emoção. Mouse power. Power to the people.[ |
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